Remote Work Experience Report 2020: explorando a experiência do trabalho remoto na América Latina

Bruna Pedra
Feb 2, 2021

A pandemia da COVID-19, sem dúvida, mudou o modo de viver de milhares de indivíduos no Brasil e no mundo. Nesse cenário, foram criadas novas formas de executar as mais diversas tarefas de rotina, dentre elas, o trabalho. No início do isolamento social, a Pin People se colocou à disposição para ajudar a criar experiências de trabalho positivas, mesmo em um cenário desafiador. Através do Remote Work Experience, nossa pesquisa sobre a experiência do trabalho remoto disponibilizada gratuitamente, conseguimos impactar mais de 150 mil colaboradores no Brasil e em outros 13 países da América Latina. A partir desses dados, fizemos um estudo sobre os principais insights e boas práticas desse período, analisados sob diversos recortes dentro das empresas. Confira!

Os resultados apresentados dizem respeito do dia 20 de março a 31 de maio de 2020, com participação de empresas dos mais variados portes e segmentos. Os colaboradores da pesquisa se dividem em diversos cargos, gerações e há uma quase igualdade entre homens e mulheres ouvidos (respectivamente, 52,6% e 43,4%).

No que diz respeito à metodologia, foram analisados diferentes aspectos frente à experiência do trabalho remoto, sendo eles: Conforto com a Rotina, Clareza no dia a dia, Colaboração à Distância, Disponibilidade e Suporte do Gestor, Respeito do Horário de Trabalho, Nível de Produtividade da Equipe, Acesso a Ferramentas e Sistemas, Comunicação Clara sobre Medidas frente à COVID-19 e Saúde Emocional.

Saúde Emocional no Trabalho Remoto

Frente aos aspectos analisados, a grande maioria mostrou-se positiva em relação ao cotidiano do trabalho remoto. Entretanto, o fator que apresentou menor nível de favorabilidade foi a Saúde Emocional, fato que nos chamou a atenção. Por meio da afirmação: "Estou me sentindo emocionalmente bem frente ao momento em que estamos vivendo", apenas 75% dos respondentes se mostraram favoráveis à perspectiva apresentada.

Com objetivo de analisar esse fenômeno, devemos lembrar que não estamos em um momento típico do conhecido Home Office. Milhares de colaboradores, no Brasil e no mundo, precisaram mudar suas atividades presenciais para um modelo completamente remoto sem preparações prévias ou avisos. Além disso, o cenário pandêmico, a saúde pública sobrecarregada e o cenário econômico incerto mostram-se como um possível fator de estresse e ansiedade para os respondentes. Esses sentimentos foram relatados tanto na esfera pessoal quanto na profissional, mostrando uma tendência de diminuição das barreiras entre os dois âmbitos.

People Analytics: como entender seus colaboradores

No que diz respeito à análise qualitativa, coletamos 136.112 comentários abertos sobre a experiência de trabalho remoto durante a COVID-19. Através do nosso algoritmo de análise de tópicos e sentimentos, foram lidos e interpretados todos os comentários, identificando os pontos relevantes em relação à experiência de trabalho remoto. Após a identificação de tópicos, o nosso algoritmo atribuiu um sentimento negativo, positivo ou neutro aos relatos, através da nossa ferramenta de Inteligência Artificial.

Um dos tópicos que mais nos chamou atenção foi “Filhos”. Com o novo cenário, o ambiente de trabalho se mistura com o ambiente de cuidado, obrigações e convivências com os filhos. A nova rotina, nesse aspecto, se mostra como um dos grandes desafios para a experiência do trabalho remoto. Outro ponto de atenção foi a maioria dos comentários deste tópico ser feito por mulheres, representando 65,2% dos relatos do tema, mostrando que essa esfera possui um maior impacto para o gênero feminino. Junto a isso, um dado revelador é enquanto os homens se mostram mais neutros frente ao tópico, as mulheres deram percentualmente mais comentários positivos e negativos, provavelmente refletindo uma sobrecarga na figura da mãe diante da pandemia.

Boas práticas para o Trabalho Remoto

Entretanto, a escuta ativa dos colaboradores permitiu que as empresas identificarem os pontos de dor na experiência de trabalho remoto e agir em cima disso. Um dado interessante que comprova esse contexto é a variação do eNPS (Employee Net Promoter Score), variável que mede o nível de recomendação da experiência considerando o cenário de trabalho remoto através da pergunta “Em uma escala de 0 a 10, qual a probabilidade de você recomendar o formato de trabalho remoto que está vivenciando na Empresa para outros colaboradores?”.

Em uma escala que varia de -100 a +100, ao iniciar a pandemia o resultado foi de +71, do início de abril até o início de maio, atingiu a mínima de +55. Após o início de Maio, houve novamente um período de crescimento dessa avaliação, chegando a +64 no fim do mês. Essa análise temporal indica que os profissionais de RH implementaram ações assertivas para mitigar ou solucionar as dores dos colaboradores após a pesquisa.

Reunimos então, algumas boas práticas das empresas participantes para três temas da pesquisa: Conforto com a Rotina do Trabalho Remoto, Acesso a Ferramentas e Sistemas, e Saúde Emocional.

Conforto com a rotina de trabalho:

  • Investimentos em melhorias na ergonomia do trabalho remoto dos colaboradores. Algumas empresas organizaram a retirada das cadeiras nos escritórios, outras enviaram um “kit ergonomia” até as casas dos colaboradores;
  • Desenvolvimento de política de auxílio de custos para um maior suporte frente ao momento atual, desde o reembolso de compra de eventuais acessórios para o trabalho remoto até a cobertura de gastos como a mensalidade da internet.

Acesso a Ferramentas e Sistemas:

  • Criação da interface entre a área de RH e TI com objetivo de disponibilizar as ferramentas necessárias para o trabalho remoto;
  • Fornecimento de notebooks para colaboradores que não possuem um computador pessoal;
  • Ampliação da rede VPN (Virtual Private Network) com objetivo de comportar todos os colaboradores e otimizar a comunicação organizacional.

Saúde Emocional:

  • Lives e encontros virtuais com psicólogos e profissionais da saúde para auxiliar os colaboradores e informar sobre questões de saúde mental e cuidados contra a COVID-19;
  • Grupos de terapia online organizados pela própria empresa;
  • Número de telefone dedicado a quem precisa desabafar ou falar sobre assuntos que estão gerando incômodo ou ansiedade no dia a dia;
  • Uso de aplicativos de meditação e voltados para o bem-estar;
  • Promoção de exercícios físicos junto à família ou aos filhos;
  • Prática da escuta ativa pelo time de RH das empresas a fim de entender com profundidade a situação de cada colaborador.

Importância do RH para a Experiência do Colaborador

Através dessa lista de iniciativas que o RH, juntamente com outras áreas, criou e implementou nesse cenário de tantas adversidades, podemos perceber sua centralidade para uma melhor adaptação e experiência do trabalho remoto. Desde o início do isolamento social, salientamos o protagonismo dos profissionais de Gestão de Pessoas, que trabalharam incansavelmente para trazer bem-estar para os seus colaboradores, seja por meio da organização de happy hours ou da disponibilização de plataformas de telemedicina.

Diante dos resultados da pesquisa, podemos concluir que a adaptação ao “novo normal” foi percebido de maneira positiva no que diz respeito à produtividade, comunicação e colaboração. Entretanto, houve potencialmente uma perda na saúde emocional dos colaboradores, aspecto que não pode ser ignorado. E não foi! As equipes de RH, como citado, disponibilizaram ferramentas e criaram ações para dar suporte à saúde emocional e ao bem-estar dos colaboradores.

Por fim, a equipe da Pin People gostaria de agradecer a todos a todas as empresas participantes da pesquisa, por estarem atentos à experiência dos seus colaboradores e não medirem esforços para que ela seja cada dia mais positiva, mesmo em tempos adversos.

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