Remote Work Experience Report 2020: explorando a experiência do trabalho remoto na América Latina

A pandemia da COVID-19, sem dúvida, mudou o modo de viver de milhares de indivíduos no Brasil e no mundo. Nesse cenário, foram criadas novas formas de executar as mais diversas tarefas de rotina, dentre elas, o trabalho. No início do isolamento social, a Pin People se colocou à disposição para ajudar a criar experiências de trabalho positivas, mesmo em um cenário desafiador. Através do Remote Work Experience, nossa pesquisa sobre a experiência do trabalho remoto disponibilizada gratuitamente, conseguimos impactar mais de 150 mil colaboradores no Brasil e em outros 13 países da América Latina. A partir desses dados, fizemos um estudo sobre os principais insights e boas práticas desse período, analisados sob diversos recortes dentro das empresas. Confira!

Os resultados apresentados dizem respeito do dia 20 de março a 31 de maio de 2020, com participação de empresas dos mais variados portes e segmentos. Os colaboradores da pesquisa se dividem em diversos cargos, gerações e há uma quase igualdade entre homens e mulheres ouvidos (respectivamente, 52,6% e 43,4%).

No que diz respeito à metodologia, foram analisados diferentes aspectos frente à experiência do trabalho remoto, sendo eles: Conforto com a Rotina, Clareza no dia a dia, Colaboração à Distância, Disponibilidade e Suporte do Gestor, Respeito do Horário de Trabalho, Nível de Produtividade da Equipe, Acesso a Ferramentas e Sistemas, Comunicação Clara sobre Medidas frente à COVID-19 e Saúde Emocional.

Saúde Emocional no Trabalho Remoto

Frente aos aspectos analisados, a grande maioria mostrou-se positiva em relação ao cotidiano do trabalho remoto. Entretanto, o fator que apresentou menor nível de favorabilidade foi a Saúde Emocional, fato que nos chamou a atenção. Por meio da afirmação: Estou me sentindo emocionalmente bem frente ao momento em que estamos vivendo, apenas 75% dos respondentes se mostraram favoráveis à perspectiva apresentada.

Com objetivo de analisar esse fenômeno, devemos lembrar que não estamos em um momento típico do conhecido Home Office. Milhares de colaboradores, no Brasil e no mundo, precisaram mudar suas atividades presenciais para um modelo completamente remoto sem preparações prévias ou avisos. Além disso, o cenário pandêmico, a saúde pública sobrecarregada e o cenário econômico incerto mostram-se como um possível fator de estresse e ansiedade para os respondentes. Esses sentimentos foram relatados tanto na esfera pessoal quanto na profissional, mostrando uma tendência de diminuição das barreiras entre os dois âmbitos. 

People Analytics: como entender seus colaboradores

No que diz respeito à análise qualitativa, coletamos 136.112 comentários abertos sobre a experiência de trabalho remoto durante a COVID-19. Através do nosso algoritmo de análise de tópicos e sentimentos, foram lidos e interpretados todos os comentários, identificando os pontos relevantes em relação à experiência de trabalho remoto. Após a identificação de tópicos, o nosso algoritmo atribuiu um sentimento negativo, positivo ou neutro aos relatos, através da nossa ferramenta de Inteligência Artificial.

Um dos tópicos que mais nos chamou atenção foi “Filhos”. Com o novo cenário, o ambiente de trabalho se mistura com o ambiente de cuidado, obrigações e convivências com os filhos. A nova rotina, nesse aspecto, se mostra como um dos grandes desafios para a experiência do trabalho remoto. Outro ponto de atenção foi a maioria dos comentários deste tópico ser feito por mulheres, representando 65,2% dos relatos do tema, mostrando que essa esfera possui um maior impacto para o gênero feminino. Junto a isso, um dado revelador é enquanto os homens se mostram mais neutros frente ao tópico, as mulheres deram percentualmente mais comentários positivos e negativos, provavelmente refletindo uma sobrecarga na figura da mãe diante da pandemia.

Boas prática para o Trabalho Remoto

Entretanto, a escuta ativa dos colaboradores permitiu que as empresas identificarem os pontos de dor na experiência de trabalho remoto e agir em cima disso. Um dado interessante que comprova esse contexto é a variação do eNPS (Employee Net Promoter Score), variável que mede o nível de recomendação da experiência considerando o cenário de trabalho remoto através da pergunta “Em uma escala de 0 a 10, qual a probabilidade de você recomendar o formato de trabalho remoto que está vivenciando na Empresa para outros colaboradores?”.

Em uma escala que varia de -100 a +100, ao iniciar a pandemia o resultado foi de +71, do início de Abril até o início de Maio, atingiu a mínima de +55. Após o início de Maio, houve novamente um período de crescimento dessa avaliação, chegando a +64 no fim do mês. Essa análise temporal indica que os profissionais de RH implementaram ações assertivas para mitigar ou solucionar as dores dos colaboradores após a pesquisa. 

Reunimos então, algumas boas práticas das empresas participantes para três temas da pesquisa: Conforto com a Rotina do Trabalho Remoto, Acesso a Ferramentas e Sistemas e Saúde Emocional.

Conforto com a rotina de trabalho:

  • Investimentos em melhorias na ergonomia do trabalho remoto dos colaboradores. Algumas empresas organizaram a retirada das cadeiras no escritórios, outras enviaram um “kit ergonomia” até as casas dos colaboradores;
  • Desenvolvimento de política de auxílio de custos para um maior suporte frente ao momento atual, desde o reembolso de compra de eventuais acessórios para o trabalho remoto até a cobertura de gastos como a mensalidade da internet. 

Acesso a Ferramentas e Sistemas:

  • Criação da interface entre a área de RH e TI com objetivo de disponibilizar as ferramentas necessárias para o trabalho remoto;
  • Fornecimento de notebooks para colaboradores que não possuem um computador pessoal;
  • Ampliação da rede VPN (Virtual Private Network) com objetivo de comportar todos os colaboradores e otimizar a comunicação organizacional.

Saúde Emocional:

  • Lives e encontros virtuais com psicólogos e profissionais da saúde para auxiliar os colaboradores e informar sobre questões de saúde mental e cuidados contra a COVID-19;
  • Grupos de terapia online organizados pela própria empresa;
  • Número de telefone dedicado a quem precisa desabafar ou falar sobre assuntos que estão gerando incômodo ou ansiedade no dia a dia;
  • Uso de aplicativos de meditação e voltados para o bem-estar;
  • Promoção de exercícios físicos junto à família ou aos filhos;
  • Prática da escuta ativa pelo time de RH das empresas a fim de entender com profundidade a situação de cada colaborador.

Importância do RH para a Experiência do Colaborador

Através dessa lista de iniciativas que o RH, juntamente com outras áreas, criou e implementou nesse cenário de tantas adversidades, podemos perceber sua centralidade para uma melhor adaptação e experiência do trabalho remoto. Desde o início do isolamento social, salientamos o protagonismo dos profissionais de Gestão de Pessoas, que trabalharam incansavelmente para trazer bem estar para os seus colaboradores, seja por meio da organização de happy hours ou da disponibilização de plataformas de telemedicina. 

Diante do resultados da pesquisa, podemos concluir que a adaptação ao “novo normal” foi percebido de maneira positiva no que diz respeito à produtividade, comunicação e colaboração. Entretanto, houve potencialmente uma perda na saúde emocional dos colaboradores, aspecto que não pode ser ignorado. E não foi! As equipes de RH, como citado, disponibilizaram ferramentas e criaram ações para dar suporte à saúde emocional e ao bem estar dos colaboradores. 

Por fim, a equipe da Pin People gostaria de agradecer a todos a todas as empresas participantes da pesquisa, por estarem atentos à experiência dos seus colaboradores e não medirem esforços para que ela seja cada dia mais positiva, mesmo em tempos adversos. 

Quer conferir mais detalhes do Remote Work Experience Report 2020?

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