Desafios do RH no cenário do COVID-19: como ocupar o protagonismo na crise?

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Diante da realidade instaurada por conta do Coronavírus as pessoas, empresas e até mesmo a sociedades precisaram se reinventar. Nesse novo ambiente, os profissionais de RH estão na linha de frente, enfrentando diversos desafios e obstáculos. Confira nesse artigo como transformar essa crise em oportunidades e aprendizados, partindo do cuidado com a experiência do colaborador no trabalho remoto.

Segundo a renomada historiadora brasileira, Lilia Schwarcz, a pandemia global do COVID-19 é o evento que marca o final do século 21. É inegável que a situação atual mudou a forma como vivemos, principalmente como consumimos, nos relacionamos e trabalhamos. No dia 11 de março de 2020, a OMS declara que o Coronavírus, que até dezembro de 2019 era uma “pneumonia desconhecida”, passa a ser uma pandemia. A partir desta data, empresas, pessoas e até organizações governamentais passaram, e ainda estão passando, por mudanças nunca vistas anteriormente.

Protagonismo do RH frente à crise

Diversas empresas no Brasil e no mundo foram forçadas a impor uma política de Home Office obrigatório, isto é, o trabalho deveria ser integralmente remoto. Na perspectiva das organizações, essa decisão precisou ser tomada de maneira ágil, radical e inesperada. Junto a isso, para a maior parte delas, seria a primeira vez que todos os seus colaboradores  executariam suas tarefas de maneira remota, estabelecendo novos desafios tanto para os líderes quanto para os seus liderados. Assim, é possível perceber o protagonismo que o RH vem ocupando frente a essa crise, rompendo com as tendências de situações semelhantes que ocorreram no passado. Na recessão econômica de 2008, os profissionais das áreas de finanças e economia ocuparam o papel central em reagir à situação. Diante à greve dos caminhoneiros em 2018, a área de logística teve um papel essencial para “apagar incêndios” e reduzir prejuízos. Dessa vez, é a área de gestão de pessoas que ocupa este lugar de destaque e protagonismo frente à crise atual, como afirmam diversos especialistas, entre eles Marcelo Nóbrega, executivo de RH e investidor anjo de HR Techs. Os impactos do COVID-19 atingem diretamente a experiência do colaborador e, portanto, o RH deve ocupar um papel importante perante às lideranças das organizações e ajudar na condução de eventuais adaptações e mudanças.

Desafios ao cuidar de pessoas no cenário atual

Apesar da relevância que o RH ocupa nas organizações, o modelo de Home Office trouxe muitos obstáculos e desafios para os profissionais dessa área, que hoje lidam com a enorme demanda de gerenciar os impactos que a pandemia causou na experiência dos colaboradores das organizações. Além disso, transitar para um modelo integral de trabalho remoto de maneira radical e repentina exigiu imensa flexibilidade, agilidade e eficiência dos processos e atividades corporativas. Nesse cenário, os profissionais de gestão de pessoas encarregados de gerar uma boa experiência com o trabalho remoto enfrentaram, principalmente no primeiro mês de isolamento social, diversas dificuldades, como: carga excessiva de trabalho, dificuldade ou impossibilidade de garantir a todos os colaboradores acesso aos sistemas da empresa, comunicação clara para todos os níveis da empresa, suporte constante, além do cuidado adicional com a saúde mental e física dos colaboradores. Uma pesquisa realizada em conjunto entre a MIT Sloan Management Review, Culture X e Josh Bersin Academy, revela que 41% dos profissionais de RH tem como prioridade durante a crise do COVID-19 a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Em segundo lugar, com 39%, está a preocupação com a gestão do trabalho remoto. Esses resultados representam novos desafios para o RH das empresas que nas últimas semanas estavam se reinventando para conseguir responder rapidamente às mudanças do cenário.

Consequências da crise econômica para o futuro do trabalho

O mercado de trabalho foi um dos primeiros a sentir os efeitos da pandemia. Dentre os inúmeros desafios enfrentados, podemos destrinchá-los em 3 grandes grupos: financeiro, tecnológico e interpessoal. Primeiramente, uma das consequências negativas do isolamento social foi o início de uma recessão econômica. Segundo um estudo do Banco Mundial, é previsto uma queda de 5% no PIB brasileiro. Diversos agentes privados e governamentais estão agindo e intervindo na economia para mitigar os efeitos da crise e reduzir danos como a falência de empresas e o aumento do desemprego. No entanto, a redução drástica no faturamento de algumas empresas acabou gerando um cenário de demissões em massa. Mesmo com medidas tomadas pelo governo a fim de promover a manutenção de empregos, muitas empresas tiveram que reduzir sua força de trabalho no intuito de garantir a continuidade sustentável das suas atividades.

Em segundo lugar, para muitas organizações, há uma lacuna entre os recursos que os colaboradores possuem no ambiente domiciliar e o que eles necessitam para executar seu trabalho. Transformar a casa em um escritório nem sempre é uma tarefa fácil. Dependendo da função ou da empresa, existe uma série de exigências de Segurança da Informação que devem ser atendidas. Além disso, existem atividades mais operacionais que não são possíveis de serem realizadas dentro de casa. Todos esses obstáculos forçam empresas a serem inovadoras e a repensarem seus processos internos, visando desenvolver meios pelos quais os colaboradores possam continuar desempenhando suas funções. Um exemplo de boa prática seria investir em uma estrutura que melhore a experiência do trabalhador remoto, como fez a Natura, que, entre as suas inúmeras iniciativas para cuidar da experiência do colaborador entregou um kit cuidado para os seus colaboradores composto por uma cadeira e kit ergonômico para auxiliar na adaptação à nova rotina de maneira mais leve e confortável.

Por fim, há um fator interpessoal muito importante: o trabalho remoto não foi uma escolha individual, ele foi imposto devido ao cenário pandêmico. Visto isso, existe uma grande preocupação por parte dos colaboradores ao enfrentar o isolamento social e todas as consequências da pandemia, o que pode causar quedas de produtividade, reduzir o engajamento e dificultar a comunicação com a equipe. Não obstante, as pessoas acabaram acumulando diversas funções sociais em um mesmo espaço físico, sem ao menos se preparem para isso. Muitos estão sendo pais, marido/esposa, gerente, analista, professor(a), vizinho(a), irmão/irmã; de uma vez só. Esse acúmulo de funções gera uma grande sobrecarga no indivíduo, podendo prejudicar o desempenho do profissional no dia a dia. Os resultados que obtivemos através do Remote Work Experience, iniciativa gratuita de gestão de experiência do trabalho remoto oferecida pela Pin People, comprovam a situação atípica em que os colaboradores se encontram. A partir da nossa pesquisa, constatamos que 25% dos colaboradores não estão bem em relação à sua saúde mental neste período de pandemia. Agora, mais do que nunca, os profissionais de RH possuem a importante missão de olhar e acompanhar o bem-estar dos colaboradores.

Como transformar os desafios atuais em oportunidades?

Diante desse cenário, já está mais do que claro que, globalmente, inúmeras dificuldades ocupam o cotidiano das pessoas. Entretanto, como disse Winston Churchill: “Nunca desperdice uma boa crise“. As organizações que conseguirem aprender e evoluir com a crise do COVID-19 serão certamente mais bem sucedidas com a retomada e com o surgimento do “novo normal”. Dados de uma pesquisa realizada pelo PwC em 2019 revelam que, ao enfrentar uma crise, 19% das empresas terminam piores, 36% se mantêm na mesma posição e 42% conseguem sair bem sucedidas. Em qual dessas estatísticas vocês gostaria que a sua empresa estivesse?

Para transformar os desafios atuais em aprendizado e crescimento, é imprescindível estudar o mercado, “surfar” nas novas tendências (por exemplo, a transformação digital) e, principalmente, cuidar do maior ativo das empresas: as pessoas. Estamos vendo novas formas de trabalho se consolidando nas organizações, não somente como uma resposta de adaptação ao momento de quarentena, mas também como antecipação ao novo jeito que empresas e pessoas passarão a funcionar após a retomada. Junto a isso, surgem novas ferramentas, mais ágeis e digitais, capazes de gerir e cuidar da experiência do colaborador em qualquer situação. E por fim, está cada vez mais claro que o ato de cuidar de pessoas é fundamental para o futuro do negócio, primeiramente porque as organizações são feitas de pessoas e, em segundo lugar, porque somente as pessoas conseguirão concretizar as transformações necessárias daqui pra frente. Cuidar da experiência de trabalho dos colaboradores nunca foi tão importante.

Como a Pin People está contribuindo?

Com o início do isolamento social, muitas empresas tiveram que migrar para um modelo de trabalho remoto. Visto isso, a Pin People criou o produto Remote Work Experience, que tem como objetivo permitir que as empresas possam avaliar e cuidar da experiência de trabalho remoto dos seus colaboradores. Usamos nossa expertise em relação à gestão da experiência do colaborador para desenvolver uma metodologia capaz de medir aspectos essenciais para uma boa experiência de trabalho remoto, levando em consideração o atual contexto do COVID-19. Estamos oferecendo essa ferramenta gratuitamente para todas as empresas. Essa foi a nossa maneira de contribuir com as organizações frente ao momento que vivemos. Caso queira aderir a esse movimento e cuidar da experiência de trabalho remoto do seus colaboradores , clique aqui.

Referências:
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